terça-feira, 27 de julho de 2010

Arriscar




Aquela vontade repentina. Difícil de explicar. Fácil de sentir. Não tem como descrever. Simplesmente um dia você acorda e quer jogar tudo para o alto. Quer arriscar. Uma coisa nova. Coragem? É o combustível e geralmente, sempre está em falta nesses momentos. Mas será que é possível arriscar sem coragem? Não é a mesma coisa querer falar sem voz? O que poucos percebem é que falam com a voz somente aqueles que querem utilizar a voz para falar. Podemos falar com as mãos, com os pés, com os olhos, ou simplesmente com um sorriso. Então por que ter medo? Arriscar não parece um monstro mais. Parece uma pequena cobra venenosa. Ao mesmo tempo em que você sabe que você é maior do que ela e pode pisá-la, tem medo que ela acerte o seu ponto fraco, o âmago de todas as suas fraquezas e aí você estará perdido. Mas então não arriscar? Por causa do medo? Não vale a pena ter medo. Arriscar então parece algo ofensivo. Administrar o risco parece mais sensato. Porém menos prazeroso. Vale a pena ser hedonista nessas horas?

Fugir totalmente da rotina. Fazer o que você menos espera, e principalmente, o que o mundo menos espera de você. Loucura para uns. Rotina para outros. A principal questão é que a adrenalina está prestes a explodir pelo seu corpo. O sangue fervendo mais que o magma na boca do vulcão pronto para entrar em erupção. E então você vai. E vai para não mais voltar. Agora não tem mais como voltar. Você olha ao seu redor e ainda não acredita que foi capaz de entrar nessa. Entrar nessa roubada parece um bom complemento para a transitividade indireta aqui. Mas não é uma roubada. Pelo contrário. Você está ganhando uma série de sensações, pensamentos e experiências as quais nunca teve a oportunidade de estar em contato por causa de um simples elemento chamado medo. Mas agora ele não existe mais.



E quando você está no miolo da flor, no cofre do banco, do topo do Everest, você olha pra trás, e não vê mais algo arriscado. Mas você vê algo riscado. Um item. Dois. Uma lista de itens. Mais um. E assim você vai vivendo.



VIVENDO? Qual o sentido dessa frase? E assim você vai sobrevivendo, ou assim você consegue manter sua vida?

Você que escolhe!

Prefere sobreviver arriscando, ou manter uma vida arriscada?

Essa eu prefiro não arriscar. Ainda.

Responsabilidade

Começou. Eu pelo menos já senti um peso ao escrever o título desse texto. Responsabilidade. Um turbilhão de informações, momentos e palavras vem na minha cabeça ao ler essa palavra. É interessante tentar interpretar os meus pensamentos provocados por essa palavra. Um homem de terno. Uma conversa com os pais. Uma folha de papel. Meu apartamento. Quantas coisas. Tudo tem um significado. É mais peculiar analisar o siginificado do primeiro homem de terno. Talvez uma de minhas metas, sendo esse o meu ideal de um profissional de carreira ascendente. Por que então foi a primeira imagem a vir em minha mente? É grande a probabilidade de eu acreditar que somente com responsabilidade alcançarei o objetivo em questão. Mas isso é uma análise superficial. Será que não estou pensando nas minhas responsabilidades de amanhã? Será que estou pensando no futuro? Ao mesmo tempo, logo me recordo de uma conversa com meus pais. Estou retrocedendo? Ou estou descrevendo uma linha do tempo? Meus pais me orientam de tal forma que eu devo ser de tal forma no futuro. Parece algo clichê. Obviamente os pais sempre idealizarão algo para os filhos, muitas vezes que não significa o que os filhos queiram e na estúpida gigante maioria dos casos, não é o rumo que os filhos tomam. Mas quem se importa? Eles claro. E a responsabilidade? Aonde fica? Caminha junto. Ou pelo menos deveria. O conceito de responsabilidade, acredito eu, abrange muito mais do que tarefas, direitos e deveres, e toda aquela coisa quase que catequética que a escola e a família nos transmitem. Acredito que a responsabilidade é quase que um nirvana. Sim, acredito que a responsabilidade seja um estado de espírito. Uma vez alcançada, você passará por uma série de experiências, modificações, prazeres, momentos inigualáveis.

Certo. Depois dessa descrição absurda e desconexa, devo argumentar meu ponto. Creio que uma vez alcançada, é difícil se perder a verdadeira responsabilidade. Isso porque, em um estado de evolução, a responsabilidade é a forma mais evoluída da maturidade. Claro. Sempre existirá a pergunta: quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha? Isso não sabemos. Mais o que sempre saberemos é que do ovo, nasce um ser que cresce e se torna uma galinha. E a galinha permanece galinha. Ela não torna a ser ovo em sua vida. Analogamente, posso dizer que existem pessoas maduras, ainda sem responsabilidade, ao passo que não consigo encontrar pessoas com responsabilidade e que são imaturas. Claro. Meu ponto de vista é o meu ponto de vista. Posso não ter maturidade. Mas, sou responsável pelos meus atos. E textos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ser ou não Ser

Hoje em dia parece ser fácil falar o que é e o que não é clichê. E incrivelmente, utilizando essa figura de linguagem a qual eu não me recordo o nome, ser clichê é muito clichê. Mas foquemos no título. Hamlet não me parece apropriado quando na verdade o principal desse texto deve se tratar a respeito das decisões que tomamos para definir nossas atitudes. Mas então surge uma nova pergunta: por que considerar então uma atitude uma forma de ser? Isso implicaria que a todo momento deveríamos estar de alguma forma agindo em nossas vidas. E sim isto realmente acontece. Tá, parece ser óbvio, mas será que realmente é obvio para nós? Quantas vezes entramos no ócio? Quantas vezes vasculhamos a internet, a TV, algum livro, o celular, e não encontramos nada, absolutamente nada para ocupar o tempo? Foco. Ser definitivo. Ser objetivo. Alguém me ensinou uma dinâmica do auto-conhecimento e dessa forma, aprendi que a minha estrada é reta. Ou seja, tenho objetivos e metas definidas em minha vida. A única questão é a forma como irei alcançá-las. Andando? Esperando que elas venham a mim?


Em uma época de dúvidas, perguntas são baratas. Eu definitivamente esbanjo perguntas. Em tudo.


É engraçado escrever em primeira pessoa e ao mesmo tempo se perguntar se eu realmente devo continuar a fazê-lo. Isso porque, como disse, esbanjo perguntas. Questões fazem bem à saúde, respostas talvez. Mas a dúvida nunca. A dúvida definha, apodrece. Justamente por isso esbanjo perguntas, para logo me livrar das dúvidas. Mas dessa forma, você pensa, terei sempre dúvidas porque se eu aprecio tanto a arte de perguntar... Aí é que está: a maioria das minhas perguntas são as suas respostas. Ser ou não ser uma pergunta? Sim, sempre ser pergunta. Resposta? Talvez. Estou em dúvida.